Trata-se de unidade de conservação de proteção integral situada entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, cuja vasta área de 104.000 hectares espalha-se por diversas cidades históricas paulistas (São José do Barreiro, Areias, Ubatuba e Cunha ) e fluminenses (Paraty e Angra dos Reis).
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Segundo o ICMBio, órgão gestor do parque, ‴ A região do Parque Nacional da Serra da Bocaina é caracterizada por um grande gradiente altitudinal, abrangendo desde áreas situadas no nível do mar (região de Trindade, Paraty), até a parte serrana, com altitudes superiores a 2.000 metros em São José do Barreiro.
Esse gradiente de altitude, determinado por aspectos geomorfológicos, afeta diretamente os atributos físicos (clima, hidrografia) e bióticos (vegetação, flora e fauna) da região, gerando paisagens e ecossitemas diversos. No interior do Parque Nacional da Serra da Bocaina ocorrem florestas desde o nível do mar até mais de a 2.000 m de altitude, sob diferentes combinações de substratos. Esta diversidade proporciona a existência de grande variedade de tipos vegetacionais, de florestas densas a campos de altitude, o que proporciona nichos especiais, refúgios, endemismos e grande biodiversidade.
O PNSB possui três tipos de formações vegetacionais: a Floresta Ombrófila Densa (Submontana, Montana e Alto Montana), expressão dominante na região, a Floresta Ombrófila Mista Alto Montana, com a presença de pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifólia) e o pinheirinho-bravo (Podocarpus lambertii), e os Campos de Altitude.
Uma das espécies presentes na Floresta Ombrófila Densa é o palmito (Euterpe edulis), anteriormente freqüente, mas hoje considerado uma espécie rara e ameaçada de extinção devido ao extrativismo ilegal. Na Floresta Ombrófila Densa Submontana destaca-se o xaxim, (Dicksonia sellowiana), também raro e ameaçado de extinção devido ao extrativismo ilegal para confecção de vasos para plantas.
O PNSB destaca-se pelo endemismo de suas espécies, sendo as mais representativas as floras das famílias Araceae, Bromeliaceae, Cactaceae, Gesnericaeae, Orchidaceae, além das pteridófitas. A distribuição das temperaturas nas áreas do PNSB sofre influência das características do relevo, ou seja, as temperaturas mais baixas ocorrem nas regiões com altimetria mais elevada (alto da serra do planalto da Bocaina), se comparadas às regiões mais baixas (litoral e porção oeste).
A região do planalto da Bocaina é caracterizada por temperaturas com média anual inferior de 17°C e com verão brando. Durante os meses de inverno, principalmente junho e julho, ocorrem temperaturas inferiores a 0° C, ocasionando freqüentes geadas. Por outro lado, a região litorânea e da vertente sul apresentam temperaturas médias anuais mais elevadas, em torno de 21 a 23°C.
O regime pluviométrico nas áreas do PNSB e de sua Zona de Amortecimento caracteriza-se pela ocorrência dos maiores índices de chuva nas áreas do litoral, vertente oceânica e planalto da Bocaina, com totais anuais médios superiores a 2.000 mm, ocorrendo, freqüentemente, períodos com índices máximos próximos ou superiores a 3.000 mm anuais. No entanto, a média regional cai para 1.700 mm anuais, devido às áreas menos chuvosas situadas nas vertentes voltadas para o vale do rio Paraíba do Sul.
Ocorrem diferenças na distribuição das chuvas no PNSB, sendo que na área do Planalto da Bocaina (alto da serra), as chuvas distribuem-se em períodos bastante distintos, um período úmido (estação chuvosa), compreendido entre os meses de outubro e março, e um período seco ou pouco úmido, entre abril e setembro. Já na Região Litorânea, os índices pluviométricos apresentam valores médios entre 1.800 e 1.900mm anuais, embora nas localidades de Picinguaba e São Roque os índices ultrapassem os 2.200mm anuais. O grande contraste na área litorânea ocorre em Paraty, com pluviosidade anual em torno de 1.350 mm.
A fauna do PNSB é bastante rica e diversificada, o que pode ser explicado pela presença de uma grande variedade de habitats e pelo seu gradiente altitudinal.
Das 156 espécies de mamíferos não-voadores com distribuição para a Mata Atlântica, 40 espécies ocorrem no PNSB. Cinco espécies de mamíferos são endêmicas da Mata Atlântica: ouriço-cacheiro (Sphiggurus villosus), sagüi-da-serra-escuro (Callithrix aurita), bugio (Alouatta guariba clamitans), macaco-prego (Sapajus nigritus) e muriqui ou mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoides).
Um grande número de espécies ameaçadas são protegidas pelo PNSB, entre elas a onça-pintada (Panthera onca), a onça-parda ou suçuarana (Puma concolor capricornensis), o muriqui o e o sagui-da-serra-escuro.
A presença da onça-pintada no interior do Parque foi confirmada recentemente, graças a uma pegada encontrada nas proximidades da cachoeira do Veado.
A onça-parda possui uma grande área de vida e se desloca desde os diversos ambientes florestais até pastagens e campos de altitude. A presença desta espécie demonstra a importância da preservação das áreas de mata situadas dentro e fora dos limites do Parque.
O muriqui, considerado o maior primata da América é muito exigente em termos de estrutura de habitat, é encontrado dentro do PNSB em áreas de grotões de mata de difícil acesso, ainda em bom estágio de preservação. Apesar de ameaçado de extinção, ainda é procurado por caçadores nas áreas em torno do Parque. Já o sagüi-da-serra-escuro, está presente em áreas de mata secundária em diversos estádios de sucessão. Espécies mais tolerantes a áreas abertas, como o furão (Galictis vittata), o veado-mateiro (Mazama americana) e o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), podem ser encontrados nas bordas de mata.
O PNSB possui um gradiente altitudinal que propicia a presença de diferentes tipos de ambientes com uma avifauna característica. Assim, algumas espécies são específicas de florestas montanas, outras de florestas submontanas, outras de campos de altitude, e assim por diante.
Cerca de 300 espécies de aves foram registradas oficialmente no Parque. Em torno de 45% são apontadas como espécies endêmicas do Domínio Atlântico, podendo-se destacar: macuco (Tinamus solitarius), jacutinga (Aburria jacutinga), pararu ou pomba-espelho (Claravis godefrida),apuim-de-cauda-vermelha (Touit melanonota), sabiá-cica (Triclaria malachitacea), bacurau-tesoura-grande (Hydropsalis forcipata), pica-pau-rei (Campephilus robustus), choquinha-pequena (Myrmotherula minor), pinto-do-mato (Hylopezus nattereri), arapaçu-de-garganta-branca (Xiphocolaptes albicollis), não-pode-parar (Phylloscartes paulista), maria-leque-do-sudeste (Onychorhynchus c. swainsoni), saudade (Tijuca atra), corocochó (Carpornis cucullata) e caneleirinho-de-chapeú-preto (Piprites pileata). Dentre as espécies ameaçadas de extinção, destacam-se a jacutinga, o urubu-rei (Sarcoramphus papa) e a águia-cinzenta (Urubitinga coronata).‴
Segundo o ICMBio, “Em meados dos anos 1900, a região da Serra do Mar compreendida desde a costa litorânea do Rio Grande do Sul, ao Espírito Santo, já tinha sua importância ambiental levada em conta pelo Governo Federal (Decreto Federal nº 50.813). Em 1961 foram instituídas, ao longo da Serra do Mar, Florestas Protetoras para garantir a segurança de encostas, a manutenção das belas paisagens e o potencial turístico.
Neste contexto, uma década mais tarde (1971), durante o regime militar, o Decreto Federal nº 68.172 institui entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, o Parque Nacional da Serra da Bocaina. O vasto território de 134.000 ha – reduzido no ano seguinte para 104.000 ha (DF 70694/72) - abrange diversas cidades históricas paulistas (São José do Barreiro, Areias, Ubatuba e Cunha) e cariocas (Paraty e Angra dos Reis) em territórios de grandes altitudes, atingindo mais de 2.000 metros acima do nível do mar, no interior e muita beleza no litoral, com piscina natural, praias e costão rochoso.
Junto a toda região da Mata Atlântica, o Parque Nacional da Serra da Bocaina (PNSB) é reconhecido como Reserva Mundial da Biosfera pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 1992. Tal Reserva, busca conciliar a conservação da biodiversidade com o uso sustentável do território. Depois de passar pela gestão do extinto IBDF e também do IBAMA, atualmente o Parque Nacional da Serra da Bocaina é de responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).‴
‴O Parque Nacional da Serra da Bocaina (PNSB) não está consolidado em termos de visitação, por isso ainda não oferece prestação de serviços ao turista. Parte desta lacuna, porém, é preenchida pela iniciativa privada existente no entorno do Parque.‴
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